sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Academias acessíveis a todos

A prática de atividades físicas e esportivas deve ser ofertada a todos, sem distinção. Isso vale, obviamente, a todos os grupos e setores da sociedade – principalmente às pessoas com deficiência. Certo? Na teoria, a tese é perfeita. Porém, na prática, será que o acesso aos locais onde são oferecidos os serviços prestados pelos profissionais de Educação Física é facilitado a todos?
Em setembro, acadêmicos do curso de Educação Física da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) analisaram a acessibilidade das instalações físicas das academias em João Pessoa. Foram pesquisadas oito academias em bairros distintos da capital paraibana. Resultado: não foi encontrada em nenhuma delas a aplicação do padrão fixado nas normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas – NBR 9050:2004.
A função da NBR 9050:2004 é “estabelecer critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade”. Vale ressaltar que a NBR 9050:2004 são referências normativas para o cumprimento do Decreto nº 5296/2004, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Em outras palavras, esses espaços – nos quais podemos incluir as academias – devem estar acessíveis a TODOS.
Diante deste fato, o CONFEF orienta os estabelecimentos que oferecem atividades físicas e esportivas, como clubes e academias, a se adequarem a estas normas, buscando adaptar seus espaços para receber e atender a todos, especialmente os portadores de necessidades especiais.
Essa ação, sem dúvida, beneficia as academias e os profissionais de Educação Física, que aumentam o número de usuários dos seus serviços; e toda população, que passa a ter acesso irrestrito à prática de atividades físicas e esportivas – objetivo defendido pelo Sistema CONFEF/CREFs desde a sua fundação.

Fonte: Portal CONFEF

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Atividade Física e Saúde

Atividade Física e saúde

"A prática regular de atividade física sempre esteve ligada à imagem de pessoas saudáveis. Antigamente, existiam duas idéias que tentavam explicar a associação entre o exercício e a saúde: a primeira defendia que alguns indivíduos apresentavam uma predisposição genética á prática de exercício físico, já que possuíam boa saúde, vigor físico e disposição mental; a outra proposta dizia que a atividade física, na verdade, representava um estímulo ambiental responsável pela ausência de doenças, saúde mental e boa aptidão física. Hoje em dia sabe-se que os dois conceitos são importantes e se relacionam."
Mas o que é atividade física? De acordo com Marcello Montti, atividade física é definida como um conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica envolvendo gasto de energia e alterações do organismo, por meio de exercícios que envolvam movimentos corporais, com aplicação de uma ou mais aptidões físicas, além de atividades mental e social, de modo que terá como resultados os benefícios à saúde.
No Brasil, o sedentarismo é um problema que vem assumindo grande importância. As pesquisas mostram que a população atual gasta bem menos calorias por dia, do que gastava há 100 anos, o que explica porque o sedentarismo afetaria aproximadamente 70% da população brasileira, mais do que a obesidade, a hipertensão, o tabagismo, o diabetes e o colesterol alto. O estilo de vida atual pode ser responsabilizado por 54% do risco de morte por infarto e por 50% do risco de morte por derrame cerebral, as principais causas de morte em nosso país. Assim, vemos como a atividade física é assunto de saúde pública.
Na grande maioria dos países em desenvolvimento, grupo do qual faz parte o Brasil, mais de 60% dos adultos que vivem em áreas urbanas não praticam um nível adequado de exercício físico. Esse problema fica mais claro quando levamos em conta os dados do censo de 2000, que mostram que 80% da população brasileira vive nas cidades.
Os indivíduos mais sujeitos ao sedentarismo são: mulheres, idosos, pessoas de nível sócio-econômico mais baixo e os indivíduos incapacitados. Observou-se que as pessoas reduzem, gradativamente, o nível de atividade física, a partir da adolescência.
Em todo o mundo observa-se um aumento da obesidade, o que se relaciona pelo menos em parte à falta da prática de atividades físicas. É o famoso estilo de vida moderno, no qual a maior parte do tempo livre é passado assistindo televisão, usando computadores, jogando videogames, etc.
A prática regular de exercícios físicos acompanha-se de benefícios que se manifestam sob todos os aspectos do organismo. Do ponto de vista músculo-esquelético, auxilia na melhora da força e do tônus muscular e da flexibilidade, fortalecimento dos ossos e das articulações. No caso de crianças, pode ajudar no desenvolvimento das habilidades psicomotoras.
Com relação à saúde física, observamos perda de peso e da porcentagem de gordura corporal, redução da pressão arterial em repouso, melhora do diabetes, diminuição do colesterol total e aumento do HDL-colesterol (o "colesterol bom"). Todos esses benefícios auxiliam na prevenção e no controle de doenças, sendo importantes para a redução da mortalidade associada a elas. Veja, a pessoa que deixa de ser sedentária e passa a ser um pouco mais ativa diminui o risco de morte por doenças do coração em 40%! Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é capaz de provocar uma grande melhora na saúde e na qualidade de vida.
Já no campo da saúde mental, a prática de exercícios ajuda na regulação das substâncias relacionadas ao sistema nervoso, melhora o fluxo de sangue para o cérebro, ajuda na capacidade de lidar com problemas e com o estresse. Além disso, auxilia também na manutenção da abstinência de drogas e na recuperação da auto-estima. Há redução da ansiedade e do estresse, ajudando no tratamento da depressão.
A atividade física pode também exercer efeitos no convívio social do indivíduo, tanto no ambiente de trabalho quanto no familiar.
Interessante notar que quanto maior o gasto de energia, em atividades físicas habituais, maiores serão os benefícios para a saúde. Porém, as maiores diferenças na incidência de doenças ocorrem entre os indivíduos sedentários e os pouco ativos. Entre os últimos e aqueles que se exercitam mais, a diferença não é tão grande. Assim, não é necessária a prática intensa de atividade física para que se garanta seus benefícios para a saúde. O mínimo de atividade física necessária para que se alcance esse objetivo é de mais ou menos 200Kcal/dia. Dessa forma, atividades que consomem mais energia podem ser realizadas por menos tempo e com menor freqüência, enquanto aquelas com menor gasto devem ser realizadas por mais tempo e/ou mais freqüentes.
A escolha é feita individualmente, levando-se em conta os seguintes fatores:
 Preferência pessoal: o benefício da atividade só é conseguido com a prática regular da mesma, e a continuidade depende do prazer que a pessoa sente em realizá-la. Assim, não adianta indicar uma atividade que a pessoa não se sinta bem praticando.
 Aptidão necessária: algumas atividades dependem de habilidades específicas. Para conseguir realizar atividades mais exigentes, a pessoa deve seguir um programa de condicionamento gradual, começando de atividades mais leves.
 Risco associado à atividade: alguns tipos de exercícios podem associar-se a alguns tipos de lesão, em determinados indivíduos que já são predispostos.
Nesses grupos, além de ser importante na aquisição de habilidades psicomotoras, a atividade física é importante para o desenvolvimento intelectual, favorecendo um melhor desempenho escolar e também melhor convívio social. A prática regular de exercícios pode funcionar como uma via de escape para a energia "extra normal" das crianças, ou seja, sua hiperatividade.
A falta de aptidão física e a capacidade funcional pobre são umas das principais causas de baixa qualidade de vida, nos idosos. Com o avanço da idade, há uma redução da capacidade cardiovascular, da massa muscular, da força e flexibilidade musculares, sendo que esses efeitos são exacerbados pela falta de exercício.
Está mais do que comprovado que os idosos obtém benefícios da prática de atividade física regular tanto quanto os jovens. Ela promove mudanças corporais, melhora a auto-estima, a autoconfiança e a afetividade, aumentando a socialização.
Antes do início da prática de exercícios, o idoso deve passar por uma avaliação médica cuidadosa e realização de exames. Isso permitirá ao médico indicar a melhor atividade, que pode incluir: caminhada, exercício em bicicleta ergométrica, natação, hidroginástica e musculação.
Algumas recomendações são importantes, e valem também para as outras faixas etárias:
• Uso de roupas e calçados adequados.
• Ingestão de grandes quantidades de líquidos, antes do exercício.
• Praticar atividades apenas quando estiver se sentindo bem.
• Iniciar as atividades lenta e gradualmente.
• Evitar o cigarro e medicamentos para dormir.
• Alimentar-se até duas horas antes do exercício.
• Respeitar seus limites pessoais.
• Informar qualquer sintoma.

É necessário a todas as gestantes um trabalho corporal a cada trimestre da gestação, para facilitar a adequação às alterações que ocorrem nesse período. Uma melhor capacidade cardiorrespiratória facilita a realização das atividades domésticas; uma melhoria das condições musculares e esqueléticas ajuda na adaptação às mudanças posturais e no trabalho de parto. Além disso, é de extrema importância a auto-estima, a convivência com outras gestantes e os sentimentos de segurança e de felicidade.
Os exercícios de ginástica garantem fortalecimento muscular, protegendo assim as articulações e reduzindo o risco de lesões. Ajudam também na oxigenação, na circulação e no controle da respiração. Já os exercícios desenvolvidos na água favorecem o relaxamento corporal, reduzem as dores nas pernas e o inchaço dos pés e mãos.
Antes do início dos exercícios, a gestante deve passar por consulta de pré-natal para ser avaliada pelo obstetra. Após a realização dos exames ele poderá liberar ou não a prática de exercícios. As mulheres que já praticavam atividade física e que nunca sofreram aborto espontâneo, podem continuar as atividades após adaptação para seu novo estado. Já aquelas sedentárias devem iniciar os exercícios após a décima segunda semana de gestação. Não havendo problemas, os exercícios podem ser continuados até o parto, embora seja necessário reduzir a intensidade aos poucos. Após o parto normal, as atividades podem ser retomadas após 40 dias. No caso de cesárea, o médico avalia cada caso.

As atividades físicas mais recomendadas às mulheres grávidas são:
 Caminhada: é muito bom para a preparação para o parto, já que melhora a capacidade cardiorrespiratória e favorece o encaixe do bebê na bacia da mãe. O ideal é caminhar 3 vezes por semana, cerca de 30 minutos. 
 Natação: trabalha bastante a musculatura. Atenção: apenas algumas modalidades são liberadas durante a gestação.
 Hidroginástica: são os mais indicados para as gestantes!
 Alongamento: ajuda a manter a musculatura relaxada e o controle da respiração.
Para finalizar devemos ressaltar que a prática de atividade física deve ser sempre indicada e acompanhada por profissional qualificado, incluindo médicos, fisioterapeutas e profissionais de educação física. Caso sinta algo diferente é mandatório informar ao responsável. Outro ponto importante, que não deve ser esquecido, é a adoção de uma alimentação saudável, rica em frutas, legumes, verduras e fibras. Prefira o consumo de carnes grelhadas ou preparadas com pouca gordura. Evite o consumo excessivo de doces, comidas congeladas e os famosos lanches de "fast-foods". E lembre-se: beba muito líquido (de preferência água e sucos naturais).
A atividade física consiste em exercícios bem planejados e bem estruturados, realizados repetitivamente. Eles conferem benefícios aos praticantes e têm seus riscos minimizados através de orientação e controle adequados. Esses exercícios regulares aumentam a longevidade, melhoram o nível de energia, a disposição e a saúde de um modo geral. Afetam de maneira positiva o desempenho intelectual, o raciocínio, a velocidade de reação, o convívio social. O que isso quer dizer? Há uma melhora significativa da sua qualidade de vida!
O que precisamos ressaltar é o investimento contínuo no futuro, a partir do qual as pessoas devem buscar formas de se tornarem mais ativas no seu dia-a-dia, como subir escadas, sair para dançar, praticar atividades como jardinagem, lavagem do carro, passeios no parque. A palavra de ordem é MOVIMENTO.



 Benefícios da Atividade Física e seus efeitos sobre o organismo
Fonte: Understanding the Human Body 2008
Efeitos da atividade física no organismo humano:
Cérebro:
  • Proporciona sensação de bem estar.
  • Melhora a auto-estima.
  • Reduz sintomas depressivos e ansiosos.
  • Melhora o controle do apetite.
Como funciona:
A atividade física estimula a liberação de substâncias que "melhoram"
o funcionamento do sistema nervoso central.
Nariz e Garganta:
  • Reduz a ocorrências de gripes, resfriados e infecções respiratórias em geral.
Como funciona:
A atividade física estimula a produção de alguns aminoácidos
(componentes das proteínas) que melhoram a ação protetora
do sistema imunológico.
Pulmões:
  • Melhora a capacidade pulmonar.
  • Aumenta a capacidade de consumo de oxigênio.
Como funciona:
A atividade física aumenta a rede de pequenos vasos que irrigam os
alvéolos pulmonares (estruturas de troca de gases), melhorando o
aproveitamento de oxigênio pelo pulmão. Desse modo, a respiração
fica mais eficiente.
Coração:
  • Melhora o funcionamento do coração (para um mesmo esforço, o trabalho cardíaco passa a ser menor).
  • Aumenta a resistência aos esforços físicos e ao estresse
  • Reduz doenças cardíacas (angina, infarto, arritmias, insuficiência etc).
  • Aumenta a sobrevida até mesmo nas pessoas que já tiveram um infarto.
Como funciona:
Estimula uma melhor vascularização (aumento da irrigação de sangue para
o próprio coração), o que garante melhor funcionamento do órgão.
Reduz fatores de risco para artérias coronárias - como pressão arterial
e colesterol.
Abdome (obesidade):
  • Facilita a perda de peso ou a manutenção do peso desejado
  • Combate a obesidade. 
Como funciona:
Reduz a gordura e aumenta a massa muscular. Os músculos são tecidos muito ativos, que ajudam no maior consumo de calorias ao longo do dia.
Pâncreas:
  • Facilita o controle do diabetes.
Como funciona:
Diminui a resistência à ação da insulina ( hormônio que facilita a entrada
de glicose nas células), favorecendo um melhor controle dos níveis de
açúcar no sangue.
Pernas:
  • Diminui edemas, varizes e o risco de trombose.
Como funciona:
Aumenta a pressão dos músculos sobre as veias das pernas. Funciona como uma espécie de bomba, que ajuda o sangue a vencer a força da gravidade e voltar mais facilmente para o coração.
Vasos Sangüíneos:
  • Reduz obstruções nas paredes dos vasos, diminuindo problemas como arterosclerose (placas de gordura), derrames e infartos.
Como funciona:
Reduz as taxas de colesterol total e eleva o HDL (colesterol "bom"), que protege contra a formação de placas de gordura nas artérias. Combate a hipertensão, reduzindo os níveis de pressão arterial.
Músculos:
  • Fortalece a massa muscular.
  • Aumenta a flexibilidade.
Como funciona:
A atividade estimula o desenvolvimento das fibras musculares que compõem os diversos músculos do corpo.
Ossos:
  • Reduz os riscos de osteoporose (enfraquecimento dos ossos) e fraturas na velhice
Como funciona:
Estimula a proliferação dos chamados osteoblastos (células que contribuem para o crescimento do tecido ósseo)

 Prof. Karine A. Madureira Xavier

domingo, 25 de abril de 2010

Percepção corporal

A imagem corporal é um complexo fenômeno humano que envolve aspectos cognitivos, afetivos, sociais/culturais e motores. Está intrinsecamente associada com o conceito de si próprio e é influenciável pelas dinâmicas interações entre o ser e o meio em que vive. O seu processo de construção/desenvolvimento está associado, nas diversas fases da existência humana, às concepções determinantes da cultura e sociedade.
A busca de uma imagem corporal, adequada aos anseios estereotipados de corpo, é um dos fenômenos mais impressionantes na sociedade atual; existe uma grande influência cultural sobre a cultura e imagem do corpo, o que pode criar aspectos enviesados relacionados ao universo corporal. Neste contexto, foram criados "modelos" de referência quase inatingíveis, pois o corpo "vendido" passa distante da realidade da maioria. E assim, assumem-se excessos, são criadas frustrações e quase "cyborgs".
Esses aspectos sociais/culturais dos seres humanos,  é variável de acordo com etnia, idade, nível social, história, sociedades, culturas e infinitos outros grupos, podendo-se considerar também o nível individual. Hoje, porém, a beleza corporal está muito vinculada a padrões de mercadoria, onde existe uma verdadeira maquinaria cultural de vendas de corpos, adornos e elementos relacionados a ele. Desta forma, a crescente comercialização do corpo, tão incutida na cultura atual, produziu um paradoxo entre a beleza corporal e o artificial. Tal paradoxo aderiu suavemente à imagem corporal, relacionando-a a um padrão corporal pré-definido como referência de saúde, qualidade de vida e beleza. A celebração corporal atual pode fazer com que o indivíduo se afaste da própria subjetividade, modelo e vivência corporal, chegando ao ponto extremo de ocasionar-lhe um processo de alienação e de construção de uma consciência acrítica em relação a sua percepção corporal e a hábitos de vida. Como conseqüência, o indivíduo pode desconhecer meios que poderiam ajudá-lo a sair dessa realidade ou não ser capaz de concretizar tais meios, hipertrofiando essa condição de vida não emancipada, tão arraigada na sociedade. Vive-se o culto ao corpo extremo determinado; é criada a angústia interna vivenciada; aceitam-se os "fantons" de referência pública.
Estudiosos da imagem corporal observam que a insatisfação com a própria imagem pode ser conseqüência de mensagens e apelos de determinadas sub-culturas, e "mesmo que a cultura dominante não prescreva que o homem seja avaliado através de padrões estéticos, ele poderá estar recebendo informações diferentes desta em suas comunidades, muitas vezes sendo pressionado a ser musculoso, ou até mesmo parecido com os demais"
Os autores dão uma importância global a essa educação:
O homem é incapaz de resolver as mais graves questões universais da atualidade porque elas lhe escapam à inteligência. Falta-nos a sensibilidade educada; faltam-nos as emoções educadas, a sexualidade, a motricidade e a sociabilidade educadas. (p.134)

Por tudo isso, parece que a aderência dos resíduos provenientes do atual sistema apresenta-se como fator limitante à conscientização e crítica comportamental, inibindo ações transformadoras, principalmente no que diz respeito às várias aspirações materialistas. E assim sendo, a visão cada vez menos reflexiva daquilo que chega a população parece fazer parte de uma unicidade de caminho "necessária" à satisfação humana, tão incutida socialmente e culturalmente. Parece que o empirismo (o conhecer através dos sentidos) acaba por anexar-se dramaticamente na relação do homem com os questionamentos fisiológicos, sociológicos e intrínseco-pessoais.
Resumindo, é preciso que haja uma educação social, psicológica, fisiológica, anatômica e motriz, para que  as  pessoas entendam que não somos apenas um corpo/imagem; somos muito...muito mais que isso.

Karine A. M. Xavier
25/04/10

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Escolaridade revela conduta na prática de atividades físicas


   
O comportamento de uma pessoa em relação à prática de atividades físicas está diretamente associado à sua situação socioeconômica. As pessoas com mais anos de estudo  são as que mais praticam atividades físicas de lazer. O assunto foi estudado pela professora e educadora física Evelyn Fabiana Costa em seu mestrado intitulado Prática de atividade física e sua relação com escolaridade em adultos de Ermelino Matarazzo, Zona Leste de São Paulo.
Evelyn esclarece que atividade física é qualquer gasto de energia além do gasto energético basal (aquele usado para manter o organismo vivo). Já o exercício físico é estruturado e tem objetivo definido, periodicidade e sequência. Ambos são fatores para prevenção e tratamento de doenças crônicas, com hipertensão, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, depressão, ansiedade, entre outros.
A pesquisa, realizada entre 2007 e 2009, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, estava inserida dentro de uma pesquisa maior que avaliou a prática de atividades físicas em relação ao ambiente. Dela saíram várias pesquisas menores, como avaliação da fluência verbal de idosos, qualidade do sono, entre outras. “Utilizamos um questionário internacional, o IPAQ. Ele estabelece que, para o indivíduo se beneficiar da prática de atividade física, precisa praticar cerca de 30 minutos de atividades moderadas por dia, pelo menos 5 dias por semana, ou 20 minutos de atividades vigorosas, 3 vezes por semana. Se a pessoa pratica esse mínimo de atividades, convenciona-se que ela está, teoricamente, protegida do risco de doenças crônicas”, esclarece Evelyn.
A atividade física foi avaliada de forma fragmentada, utilizando quatro domínios: atividade física no lazer, no trabalho, no ambiente doméstico e de locomoção e deslocamento. O objetivo foi associar cada domínio com o nível sócioeconômico dos entrevistados.
Em estudos anteriores, Evelyn observou que o nível socioeconômico de um grupo era medido de três maneiras: pela ocupação profissional, pela renda, e pela escolaridade. “Escolhemos a escolaridade porque é o mais confiável dos três indicadores. Uma pessoa com escolaridade maior, possivelmente tem uma renda maior, um emprego melhor e, provavelmente, tem mais acesso a informações de cuidados com a saúde”, explica.
Os pesquisadores entrevistaram 385 idosos e 505 adultos no distrito de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, que é uma região de nível sócioeconômico baixo. “As entrevistas duraram cerca de 6 meses, nas quais aplicamos o questionário em postos de saúde e em alguns domicílios. Então avaliamos qual seria o impacto do nível de escolaridade do entrevistado dentro de cada um dos quatro domínios de atividade física”, explica Evelyn.
Resultados já esperados

Os resultados mostraram que a prática de atividade física no ambiente doméstico representou a maior proporção de pessoas fisicamente ativas, com 44,8% dos entrevistados, seguido das atividades realizadas como forma de locomoção e deslocamento, com 37,6%. As pessoas ativas na prática de atividades físicas de lazer, que é onde os governos concentram os esforços com políticas públicas de saúde e prevenção, representaram apenas 16% dos entrevistados.

Nas comparações por gênero, os homens foram mais ativos no lazer e no trabalho. Já as mulheres foram mais ativas nas atividades físicas domésticas.
Conclusões

Evelyn observou algumas associações positivas. Independentemente do sexo, quanto maior a escolaridade, maior a pratica mais atividades físicas de lazer, o que reflete o nível socioeconômico da pessoa. Homens mais escolarizados (acima de 12 anos de estudo) são menos ativos em atividades de locomoção do que os menos escolarizados (0 a 3 anos de estudo). E mulheres mais escolarizadas são menos ativas nas atividades domésticas que as menos escolarizadas.

“Os resultados mostram a necessidade de políticas públicas para incentivar a prática de atividades físicas de lazer na população de menor nivel socioeconômico, como a construção de praças, parques, etc., principalmente em regiões menos favorecidas, como é o caso do distrito de Ermelino Matarazzo”, analisa a pesquisadora.
A pesquisa teve o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Texto: Paulo Roberto Andrade
Fonte: Agência USP

Publicado em: 26/02/2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

CAFEÍNA E EXERCÍCIO FÍSICO












Diversos estudos experimentais comprovaram a ação ergogênica da cafeína em aumentar a tolerância ao exercício ou postergar a fadiga, visando à melhora da performance ou do desempenho físico.
Um agente ergogênico é qualquer mecanismo, efeito fisiológico, nutricional ou farmacológico capaz de melhorar a performance nas atividades físicas esportivas ou ocupacionais.
Os efeitos ergogênicos da cafeína ainda não estão completamente elucidados, mas os pesquisadores acreditam em alguns mecanismos principais, como a ação da substância no sistema nervoso central afetando a percepção subjetiva de esforço e/ou a propagação dos sinais neurais entre o cérebro e a junção neuromuscular, postergando a sensação de fadiga. Outro mecanismo, sobre o músculo esquelético, aumenta os níveis intracelulares de cálcio nos músculos e a eficiência da contração.     A hipótese aceita para esse último mecanismo é de que a cafeína aja sobre o retículo sarcoplasmático, aumentando sua permeabilidade ao cálcio e tornando este mineral prontamente disponível para o processo de contração muscular.
Por isso, a cafeína é utilizada como estratégia em atletas tanto de esportes anaeróbios (alta intensidade e curta duração), como aeróbios (baixa ou média intensidade e alta duração).
A cafeína pertence a uma classe de compostos chamada xantina e é um potente estimulante. É encontrada em chás, cafés, cacau, guaraná, chocolate e refrigerantes. Seus principais efeitos fisiológicos no organismo humano (quando consumida em baixas dosagens – 2 mg/kg de peso corporal) são o efeito estimulante, diurético, diminuição da sonolência, aumento da taxa metabólica, estado de vigília e frequência cardíaca, relaxamento da musculatura lisa dos brônquios, do trato biliar, do trato gastrintestinal e de partes do sistema vascular.
Quando administrada via oral, a cafeína é absorvida de modo rápido e eficiente, com aproximadamente 100% de biodisponibilidade. A maioria dos estudos utiliza o intervalo de 60 minutos entre a ingestão de cafeína e o início do exercício físico, uma vez que este parece ser o tempo em que se observa a maior concentração da substância na corrente sanguínea após a ingestão.
Portanto, podemos sim, ingerir o nosso delicioso cafesinho uma antes da atividade, ok?
Abraços!